quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O BAILE DA TERCEIRA IDADE


“A velhice é uma tirania que proíbe, sob pena de morte, todos os prazeres da juventude” (François La Rochefoucauld)

Morrer é fácil, difícil é envelhecer. Com todas as rugas e ressacas de um passado viçoso, quase etéreo, todos temos pavor de ficarmos gagás, inúteis, estorvos. De não ser mais convidado para as festas, de voltar a ser criança e ver seu corpo definhando, arrastando-se em dependência, em decadência, nostálgicos de outrora.

Quem precisa de purgatório? Aqui habita um velho.

Um colecionador de dores nas juntas ou de remédios no armário do banheiro. A cútis é curtida pelo tempo e os fios de cabelos completamente albinos. A maior felicidade é receber alta do ortopedista. A decoração sobre o criado-mudo é sua dentadura boiando em um singelo copo de água amarelada, enquanto sua bengala jaz na cabeceira da cama.

Sua mente quer correr 3 km, seu corpo só aguenta até a esquina. Isso, se sua mente quiser alguma coisa. Menopausa é a última menstruação, o último suspiro da libido, o sopro do dragão. É como ir ao próprio velório.

Charles Chaplin dizia que deveríamos nascer velhos e ir rejuvenescendo até morrer como bebês. Qualquer semelhança com “O Curioso Caso de Benjamin Button” não é mera coincidência. Seria bom, mas a natureza é sábia. Envelhecer é pagar todos os pecados aqui e agora, é padecer de todas as merdas que se fez durante uma juventude transviada, mesmo que James Dean não tenha tido essa sorte. Sorte? Feliz é Kurt Kobain, Amy Winehouse, Marilyn Monroe, Janis Joplin: todos lindos e jovens, imortalizados nas mentes saudosas dos tempos de peace and love. 

Envelhecer é lamentar o tempo perdido. É perceber, tarde demais, que a vida é agora. Que todos os dias, meu bem, devemos ser felizes para sempre. Como os punks, que vivem rápido, pra morrer logo. "It's better to burn out than to fade away": é melhor queimar, que se apagar aos poucos, já dizia Neil Young.

No entanto, planejamos. Nossa juventude é para quando ficarmos velhos. Ninguém quer envelhecer sem ter onde cair morto, sem vinténs escondidos embaixo do colchão. Não há recompensas para a inércia do corpo. A juventude planta, a velhice apenas colhe. E quando ela chegar, nossa única preocupação deve ser sobre se vai fazer chuva ou sol.


“Tem homens que envelhecem. Outros clinteastwoodizam-se”.

Pra não dizer que eu só falei das pedras.

Li a frase nalgum lugar das internete e achei genial. Entenda “homem” de maneira genérica, deveríamos todos ser clinteastwoodinizados. Homens e mulheres firmes e fortes, produzindo mistérios, discrição e elegância. Personagens de si mesmos, indo e vindo, tão livres e libertos quanto qualquer moiçolo rebelde sem causa. Eu chamo de encarar a velhice.

Do bom exemplo, temos Sophia Loren. Um dia, ao ser perguntada sobre qual era o segredo da sua juventude eterna, Sophia respondeu: "Eu tenho dinheiro para comprar todos os bombons do mundo. Apenas não os compro nem os como". Sim-ples as-sim. Anotou?

Há uma fonte da juventude: sua mente e seu talento”
(Sophia Loren) 


Oi, eu sou Sophia e tenho 80 anos. <3

Temos também Sean Connery que, se quisesse, ainda poderia se dar ao luxo de comer umas menininhas por aí. Foi questionado sobre se toparia encarnar uma versão madura de James Bond. Sorriu e disse: “Não, obrigado. Eu envelheci, James nunca envelhecerá”. É por aí. Vamos assumir que essa moto você não consegue mais pilotar porque o tempo passou, colega. Lide com isso.

De mau exemplo temos Suzana Vieira, que continua sendo uma espécie de Manual Do Que Não Fazer Ao Envelhecer. Não gosto de cagar regras, cada um é feliz como quer. Mas meu palpite é que envelhecer bem não é pagar topless em Cancún, minha senhora. É reconhecer seu corpo e sua mente com todas as limitações e fracassos que a idade impõe.

Eu mesma já perdi o timing de pagar peitinhos num show de rock montada na cacunda de um mozão. Quer dizer, acho que ainda me restam uns 5 anos mais, vai. Enquanto o Pearl Jam ainda existir, pelo menos.

Zé Mayer é outro que não larga o osso de galã de novela das 9. Haja pílula azul pra pipa do vovô continuar subindo. E tome gatinhas e o coroa lá, forevah-young. O Zé come até a Mãe Natureza em qualquer novela do Maneco. Típico de quem se recusa a ficar velho.

E Axl Rose? Guardadas as devidas proporções, claro, o Jim Morrison da década de 1990: um pinto e uma voz, a virilidade em pessoa. Devia haver uma lei que o proibisse de envelhecer. Axl se tornou uma sombra mal traçada de si mesmo e, no meu quarto de adolescente, jaz a lembrança de um pôster do rockstar gostosinho, usando shortinho do Tchan e bandana enquanto entoa Patience... RIP!


Ohh! Sweet child o' mine... 


Então, assim, ficou velho? Abrace a causa. Ceder ao tempo não é sinal de fraqueza, mas de amor próprio e (algum) equilíbrio mental. Não vale pirar na batatinha do elixir da vida eterna.

Uma hora até Madonna vai ficar ridícula dançando Like a Virgin.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

RIVALIDADE NOSSA DE CADA DIA


Na manhã de dia 19 de dezembro de 2012, Namaria (Ana Maria Braga) – que é palmeirense NÃO praticante, creio – incentivando Thiaguinho a pedir desculpas por ter mandado o Palmeiras “Tomar no Cu” durante a comemoração do Bicampeonato Mundial do Corinthians. 

 Vamos lá, né?

Durante as comemorações do Título da Copa do Brasil, o chamado São Marcos, do alto de um trio elétrico parecido, vociferou: “Gambazada, presta atenção! Ano que vem não é o Boca, é o Verdão!” (pausa pra eu dar uma gargalhada aqui). Lembro que os parmeirense tudo acharam linduu, é ídolo e o escambau. Marcos é ídolo mesmo, todo o meu respeito depois de ter segurado a bola de Marcelinho no pênalti de 2000. E o maior rival do Palmeiras é o Corinthians, sem ressentimentos, vida que segue.



Léo, do Santos, fez algo parecido. Sheik respondeu à altura e aí, pronto, a conversa é de que não sabemos ganhar, que preguiça! É assim que o futebol SEMPRE seguiu, pedir desculpas é bobagem. Minha única ressalva está na responsabilidade dos jogadores e do artista em questão nos tempos de violência como o nosso. Ainda mais quando se usa a imprensa para isso. Então todo cuidado é pouco, ainda que o álcool corra nas veias das farras pós-título.


Rivalidade é o que eu chamo de discutir ~amigavelmente~ o tamanho do pau futebolístico em mesa de bar. De aparecer com o uniforme do time no trabalho/faculdade/escola só pra zoar os coirmãos depois de ter vencido um jogo - se de goleada, então, a galhofa é eterna. De compartilhar as montaginhas da zoeira nas redes sociais. De cantar o nome do rival nas arquibancadas e mandar o craque do time deles tomar no cu. O inimigo do seu adversário é seu amigo de infância durante uma partida. E, do sofá, vc reza para o seu novo BFF (Best Friend Forevah) meter um golaço no seu desafeto. Etc etc. Este é o corneta profissional, saudável, de raiz, tiro onda do rivale e me voy.

O anti é outra coisa, senhores. A própria torcida Corinthiana, que inventou o termo, é a mesma que o banalizou e equivoca-se sobre ele. Aliás, não só ela, por supuesto.

Vamos lá (parte II):

Anti é aquele cara que foi receber os jogadores do Boca Juniors no aeroporto. É o cara que inventou AND industrializou a camisa “Nunca Vou Parar de Rir”. É o cara que criou um site de bolão de apostas para quando o Corinthians caísse na Libertadores. É o cara que tá láááááá no Japão, o Timão faz um gol e ele levanta a faixa: “Chora Porco” (sim, surpreenda-se: corinthiano TAMBÉM pode ser anti). É o cara que trata de espalhar na internet um texto mentiroso sobre a ~compra~ (risos, muitos risos) do título do Corinthians de 98, da Libertadores e do Mundial de 2012 (o texto é o mesmo, só mudam os personagens. O triste é que há quem acredite). O anti diz que “não gosto de futebol, mas odeio o Corinthians” (Oi?).
Anti é aquele cara que abre uma conta em todos os sites/blogs esportivos possíveis e imagináveis SÓ pra comentar – e aloprar – na página do rival. O anti prefere ver seu time perder ao ver o outro ganhar. Sabe? Muuuuita energia dispensada pelo outro. Cansa a beleza só de pensar.

É basicamente esta a diferença entre o corneta profissional e o anti - que pode ser qualquer um, INCLUSIVE, um corinthiano.

Abro parêntese: não vou colocar neste rol o caso dos que surraram corinthianos na cidade de Santos ou do vizinho que esfaqueou e matou um corinthiano por conta da comemoração. Estes não são antis, sequer são torcedores. São criminosos mesmo. Fecho parêntese

Espero que tenha ficado claro e cêis não confundam mais. =)

É óbvio que a gente gosta do tom respeitoso dos rivais depois de ganhar títulos com tanta moral. Mas na hora que o bicho pega, honrarias e goleadas servem mesmo para esfregar na cara do adversário. E a carreata de comemoração só é linda se for do seu time. Do contrário, é um bando de vagabundo em pleno dia útil atrapalhando a rotina alheia. Ah, o futebol...

Um brinde à rivalidade nossa de cada dia!