No dia em que os ônibus pararem de quebrar no meio do caminho, nos obrigando a esperar sabe-se lá quanto tempo por outro – que provavelmente já estará lotado. Pagaremos R$ 2,50 quando toda a frota vier equipada com ar-condicionado e cadeiras inteiras. Quando os motoristas pararem de pôr Especial nos letreiros luminosos por questão de atraso ou preguiça. Aliás, quando estes mesmos senhores pararem de fingir não ver passageiros nas paradas, quando souberem respeitar a lotação máxima de cada ônibus. Pagaremos R$ 2,50 quando ocorrer, finalmente, a licitação de novos veículos e quando a frota existente for atualizada – afinal, é uma piada andar em veículos de, no mínimo, sete anos.
Pagaremos R$ 2,50 quando não mais formos obrigados a esperar 1h, 1h30 ou mais que isso nos pontos de ônibus desertos. Quando os motoristas deixarem de ignorar o retorno da Universidade Federal; quando não tivermos de nos amontoar feito animais para buscar lugares vazios ou mesmo subir nos veículos. Pagaremos R$ 2,50 quando houver respeito e coerência no sistema de transporte público em Maceió. Pagaremos R$ 2,50 quando não tivermos de nos submeter às máquinas de intimidade forçada que são os ônibus lotados. Pagaremos R$ 2,50 quando filas e catracas forem respeitadas, quando houver segurança nos ônibus, quando lucro for menos importante que o bem estar da população.
Infelizmente, ônibus são questão de extrema necessidade. Pagamos um valor abusivo que, a cada virada de ano, vemos crescer sem que cresça junto a qualidade. Classificar o absurdo é tão óbvio que está fora de moda. Ainda mais quando nos damos conta de que a maioria da população maceioense não tem condições de pagar tão caro, em todos os sentidos, para algo tão básico quanto se deslocar de um lugar a outro.
Uma coisa eu digo: se esse novo aumento for aprovado... Quem vai pular a catraca sou eu.
Sexo, drogas e rock’n roll. A tríplice aliança dos rebeldes com causa, que acompanhou a geração dos nossos pais, chega intacta ao século XXI?
Entre peaces and loves e os méritos de uma juventude transviada, a bandeira de hippies, punks, rockers era uma transgressão social, uma quebra de paradigmas. E aí santíssima trindade do Rock não era apenas uma expressão, mas um estilo de vida. Hoje o mundo finalmente descobriu que usar drogas faz mal (??), mas matar e morrer ao dirigir bêbado, pode (??!?). Mais ainda: hoje o mundo se pergunta "Por quê usar drogas? O que você quer provar e a quem?". Como diria Keith Ricards, “Aaahh, esses meninos com muito rock, pouco roll…”
Há uma lista incontável de ídolos que sobreviveram às drogas. Ótimo, de verdade. Mas o que faz a gente pensar que, sobrevivendo, continuariam produzindo? O que faz a gente pensar que, de repente, não cairiam no ostracismo, fadados numa versão decadente de si mesmos?
Não faltam bons exemplos dos que estão aí, apesar de tudo, vivos e firmes, a produzir. Chris Cornell, Steven Tyler, Ozzy Osbourne, Mick Jagger. Mas alguns outros são apenas sombra do que foram: Axl Rose, Sebastian Bach, Paul D'ianno, Tommy Lee.
Ninguém se autodestrói porque quer. Até o barato virar dependência química, muitos esqueletos já foram escondidos no armário emocional. Amy cansou de ser genial e não foi de repente. Abro parêntese: sim, genial. A pequena judia está no mesmo patamar das grandes musas do jazz, do blues e do soul, afirmo sem-medo-de-ser-feliz. Amy é a Aretha Franklin deste século. Mas hoje paira uma lógica saudosista na qual reverenciar célebres do passado é diretamente proporcional a subestimar os ícones da nossa própria geração. Perdoem o cetiscismo, não acredito que haverá nada de muito mais novo no cenário musical. Tudo que virá será sempre uma versão dos que já foram, dos que abriram portas para, justamente, servir de inspiração. Fecho parêntese
Nesses tempos contemporâneos e apocalípticos, todo mundo é Deus. Mesmo que todos estejamos sob o mesmo céu do julgamento, entoamos uníssonos um discurso hipócrita contra os males do século. Não use drogas, não coma muito, não fale palavrão, não surte, não quebre nada. A alma do rock'n roll nunca esteve tão carola. E aí, BUM! Nessa campanha “lute pela vida”, Amy jogou fora a sua.
Mas a cantora não tinha compromisso algum com a Amy que o mundo conhecia. Desmedida, não dava a mínima em ser famosa, em ter fãs, em ter de fazer shows. A única coisa que lhe importava era sua própria dor. E, partindo da premissa de que todo poeta só é grande quando sofre, teve os maiores de seus lampejos criativos em Back to Black por conta do abandono do então namorado Blake Fielder - este sim, seu maior vício. No clipe da música, Amy enterra a si mesma, exatamente como o fez na vida real.
"Quem se habituou com fotos sensacionalistas de Winehouse, estranha a capa do primeiro disco, que em nada lembra as imagens fartamente bigbrotherizadas de uma celebridade mais conhecida por escândalos que por sua música". (Alexandre Inagaki)
A lembrança que mais gosto é ela linda, visivelmente chocada e emocionada ao saber que teria ganho 5 Grammys. Ingenuamente, torci para que superasse seus ímpetos suicidas. Sobre notícias da inglesa bebendo e caindo nos shows, eu só conseguia sentir uma enorme tristeza. Aquele desperdício que era um vozeirão naufragado em cachaça, a menina serelepe convertida em casmurro, toda a criação esvaindo em solidão. Uma pena mesmo, mas quem decidiria sobre isso não seria eu nem você.
Anyway, que bom tê-la visto! Amy se inspirava em Aretha Franklin e Sharon Jones. Logo transformou tudo numa coisa sua e fez o grande favor de compartilhar com o mundo. Por essa generosidade, querida, obrigada.
Adeus!
We only said goodbye with words
I died a hundred times You go back to her And I go back to... black